sábado, 1 de julho de 2017

3 Anos de Um Ser Pai!


Nesses dias um amigo me perguntou por que eu tinha abandonado o blog. Respondi prontamente “mas eu não abandonei o blog!”. Depois, refletindo sobre a pergunta dele, vi que o “abandonar” não significava necessariamente parar de atualizá-lo e nunca mais mexer nele, mas sim deixá-lo “tomando pó”, “às moscas”, mesmo que apareça de vez em quando aqui para passar um pano e espantar as traças.

Se eu disser que nunca pensei que o blog chegaria a essa marca, estaria mentindo. Ao menos, pensando na época em que criei ele, com otimismo, sonhos de sucesso, fama e riqueza. Agora, se eu pensar em pouco menos de um ano atrás, não tinha como imaginar que ele ainda existiria.

Com certeza foi o ano mais conturbado de nossas vidas (mais detalhes aqui), e isso impactou em vários pontos no âmbito social, profissional, financeiro, de saúde e, principalmente, no Um Ser Pai. As postagens - já escassas - ficaram mais raras ainda. Já faz semanas que ele fala “papá” e “mamã” e eu nem postei nada a respeito disso. Ele aprendeu a brincar com carrinhos, a jogar bola e a soprar apito. Consegue andar bem se apoiando nos móveis e dando apenas uma mão para nós. Continua fazendo tratamento clínico e temos esperança que estará andando até o fim do ano. Ainda assim, raramente tenho aparecido aqui para contar tais feitos.

Talvez eu não esteja cuidando do Um Ser Pai como deveria. Talvez seja pelo fato que não consigo dar a ele a visibilidade que gostaria que tivesse, ou então pela correria do dia-a-dia, que não me dá muito tempo para pensar no que escrever, ou mesmo porque aquela empolgação do início do blog, em 2014, foi se esvaindo com o passar dos anos. As várias tribulações que tivemos também têm sua parcela de culpa, com certeza. Por isso, ao mesmo tempo que sinto orgulho de estar há 3 anos contando minha saga de pai de primeira viagem, me entristeço por ver que fui decaindo como interlocutor.


Ainda assim, cá estou eu, com pano e veneno para traças em mãos, afinal temos uma festa para fazer! Por mais que seja “só uma data”, esses ciclos de 365 dias servem para que reflitamos e pensemos sobre a jornada que tivemos, e isso é passível de comemoração! Então, no momento, quero apenas agradecer aos cerca de 1500 fiéis seguidores do blog Um Ser Pai e dizer que, enquanto vocês não desistirem do blog, me esforçarei ao máximo para dar mais vida a ele!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Dormindo quentinho


Lembro de várias vezes, durante a madrugada ou tarde da noite, eu já estar no mundo dos sonhos na minha gostosa e aconchegante caminha e acordar com o som do meu pai entrando no quarto para colocar o cobertor em mim e em meu irmão - mesmo quando eu estava com calor e descoberto por opção.

Talvez meu pai deveria ter me ensinado esse truque

Agora sou eu que sempre vou dar uma espiada no quarto do guri antes de dormir, para ver se o espoleta não se descobriu. Tento entrar sempre fazendo o mínimo de barulho, a fim de evitar o rangido do piso de madeira - e normalmente falho na missão. Mas o importante é conseguir cobri-lo e deixá-lo confortável para o resto da noite.

Eu e minhas suaves pisadas no chão

Apenas nesses dias que fui perceber a semelhança e, enfim, entender o que meu pai fazia. Não era simplesmente para que não pegássemos a tal da “friagem” da madrugada, acabar acordando com dor de garganta ou até resfriado, mas sim pela necessidade de olhar para o filho e ter certeza que ele está bem, mesmo durante a noite, mesmo enquanto está no sono dos justos.

É um sentimento muito estranho: às vezes você pensa “ah, meus filhos dormiram, agora posso ter um tempo só pra mim!” e, por mais que isso seja almejável e que você aproveite bem aquelas duas horas de tempo consigo mesmo, ainda existe uma parte sua que está sentindo falta de, ao menos, olhar para o rosto da criança ou tê-lo ali perto, só para ter certeza que ela permanece saudável e feliz.

Mas também não precisa acordar a criança

Não sei se é, no meu caso, um efeito colateral de tantos problemas que o meu filho já teve com tão pouca idade, mas prefiro acreditar que é algo que brota no ser humano assim que ele vira um progenitor. Basta assistir o Animal Planet ou o Discovery Channel pra entender que isso ocorre em todo o reino animal: os pais sempre estão preocupados em manter seus filhotes próximos, e viram bicho (perdão pelo trocadilho) se algum perigo se avizinha. Como humanos, sempre procuramos explicações racionais para todo e qualquer evento, mas às vezes temos que simplesmente aceitar que instinto, sentimento e empatia são realmente os elementos que regem nosso dia-a-dia. Talvez essa seja a melhor definição para a palavra “amor”.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Crianças tecnológicas


Ainda espero uma explicação científica que elucide o fato das criancinhas, por mais que nem saibam falar direito e teimem em querer comer giz de cera, já tenham tanta atração e até certa facilidade de mexer em apetrechos tecnológicos.

Pense na conversa desses dois no Whatsapp

Meu filho tem um radar absurdo para celulares: basta qualquer pessoa deixar algum aparelho esquecido no braço do sofá, em cima da estante (que ele já alcança) ou até mesmo esquecido no bolso, mas aparente o suficiente para o crianço conseguir reconhecer, e em segundos o smartphone está nas mãozinhas pequerruchas, com os dedinhos deslizando pra cima e pra baixo o que quer que esteja sendo exibido na tela. Percebendo esse fascínio, compramos para ele um tablet de brinquedo, onde ele precisa apertar nos “ícones” (que na verdade são botões) para que algum som seja emitido. Agora me pergunte se ele brinca com o tablet.
“Ele brinca com o tablet?”
Não! No máximo aperta em dois botões e esquece dele, em busca do próximo Motorola ou iPhone que esteja dando sopa.

Isso aqui? Nem interessa 

Lembro que, na minha época (fala de pessoa velha) de pequeno infante, bastava um conjunto de blocos de madeira para eu ficar distraído por horas a fio. Já uma geração à frente da minha, a mania era botões: qualquer coisa com botões - desde telefones até controles remoto, passando por teclados - era o suficiente para despertar a curiosidade, e quanto mais tecnológico, melhor. Agora nem botões servem para os nascidos pós-7x1.

Você precisa ter mais de 30 anos, no mínimo, pra saber o que é isso 

A mente humana é realmente algo fantástico. A rapidez com que a criançada aprende a forma que funcionam as tecnologias mais novas, graças à ludicidade (nem sei se essa palavra existe) dos mesmos, é de impressionar qualquer adulto. No início da vida o cérebro parece ser uma grande esponja que absorve toda e qualquer informação que possa ser relevante para o “ser humano do futuro” que seu dono será, e esse dinamismo cerebral faz com que as crianças já cresçam se adaptando com as tecnologias cotidianas, e nós, adultos, vamos ficando para trás, com nossos bloquinhos de madeira. Não existe tablet de brinquedo que possa substituir esse instinto de aprendizagem, afinal botão é algo tão “arcaico”, não é mesmo?

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Curtinha #6


No jornal, pela manhã, passou uma reportagem sobre a visita do escritor Nicholas Sparks aqui no Brasil. Em um determinado momento, uma garota, aos prantos, apareceu para abraçá-lo na sessão de autógrafos e nem conseguia dar entrevista depois. Pensei comigo mesmo “caramba, tudo isso só por conhecer o escritor?”. Algumas horas depois fui dar um lanche para o pequenote. Decidi tentar dar uma bolacha (biscoito? Vocês decidem), já esperando sua rejeição. Para minha surpresa ele não só pegou a bolacha como começou a comer sozinho, arrancando pedaços com seus dentinhos e mastigando direitinho. Meus olhos encheram de lágrimas. Pode parecer besteira, mas só quem acompanhou toda a história do guri irá entender o quão significativo foi isso, já que as lesões cerebrais causadas no ano passado o fizeram regredir em muitos pontos, inclusive na deglutição - ele evitava mastigar, cuspia pedaços de comida que julgava “grandes demais” e muito raramente levava algum alimento à boca. Percebendo isso, vi o quão injusto estava sendo com a menina fã do Nicholas Sparks: o choro dela com certeza tinha uma razão de existir, razão que só ela sabe o peso que tem. Cada um tem uma história e não cabe a ninguém julgar. Então, desculpa, garota-que-apareceu-chorando-na-reportagem.

COMPARTILHEM ATÉ CHEGAR À GAROTA. (não custa tentar, né?)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Chegadas e partidas


O interessante de ir trabalhar de ônibus sempre no mesmo horário é que alguns rostos começam a se tornar conhecidos com o tempo. Pessoas que também pegam o mesmo ônibus, dia após dia, se tornam familiares. Pessoas familiares com quem nunca se trocou um oi, um aceno e que nem sabemos o nome. Quando passei a usar o coletivo, percebi que todo dia um casal jovem, de possíveis vinte e poucos anos, embarcava a duas paradas à frente da minha. Ele tinha cara de “Rodrigo” e ela de “Jaqueline”. Se estavam de pé, Rodrigo sempre abraçava Jaqueline, e se despedia com um beijo e um “te amo” quando ela descia, três pontos antes da parada dele. Tempos depois, ela passou a se sentar no banco preferencial enquanto ele ficava de pé, segurando a bolsa dela. A razão era óbvia: Jaque estava grávida. O ritual da despedida continuava. Mais alguns meses de idas e vindas do trabalho e o barrigão já apontava que logo logo a criança de Jaque e Rodrigo nasceria, e era bonito de ver a mão esquerda de ambos, cada qual com uma aliança dourada no dedo, repousando sobre o ventre quando o casal conseguia sentar-se um ao lado do outro no busão lotado. Dias passaram e Rodrigo já estava pegando o ônibus sozinho. Nessa época comecei então a ir para o trabalho de bicicleta e pegar ônibus se tornou mais raro. Uns dois ou três meses atrás estava chovendo de manhã e me obriguei a usar o transporte público mais uma vez. Logo entraram Jaque e Rodrigo e ficaram juntos, de pé, abraçados, como sempre fora. Mas nessas idas e vindas, algo mudou.

Phopho

Semana passada usei o ônibus mais uma vez. Jaque entrou sozinha e eu já estranhei. Parou quase na minha frente, onde uma amiga dela estava sentada. Ela se segurou na barra vertical com a mão esquerda e notei a ausência do anel de ouro. Fiquei angustiado e não queria acreditar. Preferi pensar que ela podia ter esquecido a aliança em cima da pia, quando a tirou para passar creme nas mãos. Logo as duas começaram a conversar. Nunca fui de ouvir a conversa alheia, mas naquele momento eu precisava saber o que estava acontecendo, afinal já nos conhecíamos há tanto tempo, não é? Jaque não podia fazer aquilo comigo! Entendi poucas partes: a criança se chama Rafael, ela gastou 160 reais de medicamentos na farmácia e, mesmo sem conseguir ouvir toda a frase, o ódio no olhar dela revelou o que eu não queria crer que era verdade - Jaque e Rodrigo se separaram. Juro que fui trabalhar deprimido.

Pra você que leu e/ou assistiu "A Garota do Trem": sim, foi uma referência direta

Sempre que fico sabendo de algum casamento que acaba, me bate uma tristeza. Sou um homem "à moda antiga", que pensa que um casal tem que pensar muito antes de resolver casar, precisa ter muita certeza que poderão conviver em harmonia (e juntar dinheiro também, porque fazer festa de casamento é muito caro!). Vejo meus avós, que recentemente comemoraram 60 anos de casados e imagino no que nossa geração está errando, pois parece que de nada adianta 5, 6 anos de namoro para que o casal se conheça bem, já que bastam um ou dois anos de casados para decidirem que “não era pra ser”. Será que estamos nos tornando mais intolerantes nos relacionamentos? Será que a instituição “casamento” está realmente falida? Aprendemos a crescer mais independentes e criamos uma certa “casca” para aceitar algo que encaramos como uma “intromissão alheia”, como os pedidos do cônjuge ou as obrigações que criar uma família nos demanda? Ou desaprendemos a lidar com críticas, com dificuldades e até assumir os próprios erros a ponto de preferir desligar o videogame ao tentar matar o chefe da fase? Qual é o segredo dos mais velhos para os relacionamentos duradouros que mantém viva a tradição do almoço de domingo com a família reunida? Há quem diga que “os tempos eram outros”, que a mulher se via obrigada a continuar casada porque na sociedade dos anos 60, 70, ela era dependente do marido trabalhador, ou também que um casal separado era “mal visto” pela comunidade em geral. Pois eu ponho a minha mão no fogo para dizer que meus avós se amam e já demonstraram isso inúmeras vezes em frente à toda família gerada pelos seus seis filhos. Por isso, tenho certeza: tem algum segredo sim, só esqueceram de nos contar - ou acharam que teríamos a capacidade de descobrir por conta própria.

Continue? (X)Sim (  )Não

Talvez os tempos sejam mesmo outros e tenhamos que aprender a conviver com essas chegadas e partidas do amor, do afeto, da compreensão e da compaixão. Apenas sinto pelo Rafael. Por mais que Rodrigo se esforce para ser um pai presente, por mais que Jaque tenha plenas condições de criar e educar Rafael como mãe solteira, sei que tanto Rafael quanto Jaque quanto Rodrigo sofrerão no dia a dia. O casal por não ter o apoio um do outro nos pequenos momentos da vida e o pequeno Rafael por não ter mãe e pai sob o mesmo teto.