terça-feira, 18 de julho de 2017

3 anos de Brucioêine


Esse vai ser um texto emocionado. Então, se você não gosta de melodramas... leia do mesmo jeito (dá uma força pra nóis, vai!).

Hoje meu filho completa 3 anos de vida, provavelmente tendo passado por mais dificuldades que muito marmanjo por aí. Nasceu às pressas, ficou sem contato com a mãe por 18 dias, apresentou uma condição adversa nos pés chamada “pé torto congênito” e teve que usar gesso e passar por cirurgia antes mesmos dos primeiros 120 dias. Antes de completar um ano, teve um problema na traqueia que até hoje os médicos não souberam explicar, e por isso teve que usar traqueostomia por mais de um ano. Não pôde aprender a falar, gritar, rir, abrir um berreiro. Às vésperas dos 2 anos de idade, quando finalmente removeu a traqueostomia, uma complicação na pós-cirurgia feriu o seu cérebro e ele perdeu movimentos, visão e capacidade de interação. Tudo isso poucos dias depois de ter aprendido a andar.

Pensem vocês, pais e aspirantes à paternidade, como se sentiriam ao olhar para seu rebento inerte, com os músculos retraídos e sem conseguir demonstrar o quanto depende do seu carinho e do seu cuidado. Um tio meu, que foi visitá-lo no hospital, disse para nós que “Deus não deixaria de curar um carinha tão legal quanto ele”, pois, independente de todos os problemas que ele teve antes dessa complicação, o guri sempre foi muito querido, sorridente e brincalhão.

E meu tio estava certo. Ele melhorou, se recuperou, tirou a traqueostomia e vem fazendo um treinamento intensivo para voltar a andar. Consegue se equilibrar apoiando nos móveis, já escala na estante da sala e no sofá, sobe escada de joelho e caminha se dermos uma só mão para ele. Realmente, Deus sorriu para ele e confirmou que ele é um carinha legal.

Admito que, como pai, ainda é difícil olhar para outras crianças de 3 anos, correndo, pulando, falando bem, às vezes até já andando de bicicleta, e não pensar que poderia ali ser meu filho, fazendo as mesmas traquinagens, caso não tivessem acontecido tantos percalços em sua curta vida. Mas aí lembro em como ele estava há um ano, quietinho numa cama de hospital, sem sequer olhar para nós, e aceito que, por mais que esteja difícil hoje, o pior já passou. Já escrevi aqui que acredito que tudo tem um motivo, e todas essas provações, tanto para nós quanto para ele, têm sim uma importância maior, e basta a nós aguardamos para ver. Acima de tudo, o que nos acalma é ver que, apesar de tudo o que já passou, ele é uma criança feliz, divertida e que contagia a todos que interagem com ele.

Então, nesse dia 18 de julho de 2017, quero apenas agradecer. Agradecer a quem rezou por ele, a quem nos ajudou nos momentos difíceis, aos próprios momentos difíceis (que nos fizeram crescer como família) e pela vida do nosso guri.

Feliz aniversário, carinha legal.


sábado, 1 de julho de 2017

3 Anos de Um Ser Pai!


Nesses dias um amigo me perguntou por que eu tinha abandonado o blog. Respondi prontamente “mas eu não abandonei o blog!”. Depois, refletindo sobre a pergunta dele, vi que o “abandonar” não significava necessariamente parar de atualizá-lo e nunca mais mexer nele, mas sim deixá-lo “tomando pó”, “às moscas”, mesmo que apareça de vez em quando aqui para passar um pano e espantar as traças.

Se eu disser que nunca pensei que o blog chegaria a essa marca, estaria mentindo. Ao menos, pensando na época em que criei ele, com otimismo, sonhos de sucesso, fama e riqueza. Agora, se eu pensar em pouco menos de um ano atrás, não tinha como imaginar que ele ainda existiria.

Com certeza foi o ano mais conturbado de nossas vidas (mais detalhes aqui), e isso impactou em vários pontos no âmbito social, profissional, financeiro, de saúde e, principalmente, no Um Ser Pai. As postagens - já escassas - ficaram mais raras ainda. Já faz semanas que ele fala “papá” e “mamã” e eu nem postei nada a respeito disso. Ele aprendeu a brincar com carrinhos, a jogar bola e a soprar apito. Consegue andar bem se apoiando nos móveis e dando apenas uma mão para nós. Continua fazendo tratamento clínico e temos esperança que estará andando até o fim do ano. Ainda assim, raramente tenho aparecido aqui para contar tais feitos.

Talvez eu não esteja cuidando do Um Ser Pai como deveria. Talvez seja pelo fato que não consigo dar a ele a visibilidade que gostaria que tivesse, ou então pela correria do dia-a-dia, que não me dá muito tempo para pensar no que escrever, ou mesmo porque aquela empolgação do início do blog, em 2014, foi se esvaindo com o passar dos anos. As várias tribulações que tivemos também têm sua parcela de culpa, com certeza. Por isso, ao mesmo tempo que sinto orgulho de estar há 3 anos contando minha saga de pai de primeira viagem, me entristeço por ver que fui decaindo como interlocutor.


Ainda assim, cá estou eu, com pano e veneno para traças em mãos, afinal temos uma festa para fazer! Por mais que seja “só uma data”, esses ciclos de 365 dias servem para que reflitamos e pensemos sobre a jornada que tivemos, e isso é passível de comemoração! Então, no momento, quero apenas agradecer aos cerca de 1500 fiéis seguidores do blog Um Ser Pai e dizer que, enquanto vocês não desistirem do blog, me esforçarei ao máximo para dar mais vida a ele!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Dormindo quentinho


Lembro de várias vezes, durante a madrugada ou tarde da noite, eu já estar no mundo dos sonhos na minha gostosa e aconchegante caminha e acordar com o som do meu pai entrando no quarto para colocar o cobertor em mim e em meu irmão - mesmo quando eu estava com calor e descoberto por opção.

Talvez meu pai deveria ter me ensinado esse truque

Agora sou eu que sempre vou dar uma espiada no quarto do guri antes de dormir, para ver se o espoleta não se descobriu. Tento entrar sempre fazendo o mínimo de barulho, a fim de evitar o rangido do piso de madeira - e normalmente falho na missão. Mas o importante é conseguir cobri-lo e deixá-lo confortável para o resto da noite.

Eu e minhas suaves pisadas no chão

Apenas nesses dias que fui perceber a semelhança e, enfim, entender o que meu pai fazia. Não era simplesmente para que não pegássemos a tal da “friagem” da madrugada, acabar acordando com dor de garganta ou até resfriado, mas sim pela necessidade de olhar para o filho e ter certeza que ele está bem, mesmo durante a noite, mesmo enquanto está no sono dos justos.

É um sentimento muito estranho: às vezes você pensa “ah, meus filhos dormiram, agora posso ter um tempo só pra mim!” e, por mais que isso seja almejável e que você aproveite bem aquelas duas horas de tempo consigo mesmo, ainda existe uma parte sua que está sentindo falta de, ao menos, olhar para o rosto da criança ou tê-lo ali perto, só para ter certeza que ela permanece saudável e feliz.

Mas também não precisa acordar a criança

Não sei se é, no meu caso, um efeito colateral de tantos problemas que o meu filho já teve com tão pouca idade, mas prefiro acreditar que é algo que brota no ser humano assim que ele vira um progenitor. Basta assistir o Animal Planet ou o Discovery Channel pra entender que isso ocorre em todo o reino animal: os pais sempre estão preocupados em manter seus filhotes próximos, e viram bicho (perdão pelo trocadilho) se algum perigo se avizinha. Como humanos, sempre procuramos explicações racionais para todo e qualquer evento, mas às vezes temos que simplesmente aceitar que instinto, sentimento e empatia são realmente os elementos que regem nosso dia-a-dia. Talvez essa seja a melhor definição para a palavra “amor”.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Crianças tecnológicas


Ainda espero uma explicação científica que elucide o fato das criancinhas, por mais que nem saibam falar direito e teimem em querer comer giz de cera, já tenham tanta atração e até certa facilidade de mexer em apetrechos tecnológicos.

Pense na conversa desses dois no Whatsapp

Meu filho tem um radar absurdo para celulares: basta qualquer pessoa deixar algum aparelho esquecido no braço do sofá, em cima da estante (que ele já alcança) ou até mesmo esquecido no bolso, mas aparente o suficiente para o crianço conseguir reconhecer, e em segundos o smartphone está nas mãozinhas pequerruchas, com os dedinhos deslizando pra cima e pra baixo o que quer que esteja sendo exibido na tela. Percebendo esse fascínio, compramos para ele um tablet de brinquedo, onde ele precisa apertar nos “ícones” (que na verdade são botões) para que algum som seja emitido. Agora me pergunte se ele brinca com o tablet.
“Ele brinca com o tablet?”
Não! No máximo aperta em dois botões e esquece dele, em busca do próximo Motorola ou iPhone que esteja dando sopa.

Isso aqui? Nem interessa 

Lembro que, na minha época (fala de pessoa velha) de pequeno infante, bastava um conjunto de blocos de madeira para eu ficar distraído por horas a fio. Já uma geração à frente da minha, a mania era botões: qualquer coisa com botões - desde telefones até controles remoto, passando por teclados - era o suficiente para despertar a curiosidade, e quanto mais tecnológico, melhor. Agora nem botões servem para os nascidos pós-7x1.

Você precisa ter mais de 30 anos, no mínimo, pra saber o que é isso 

A mente humana é realmente algo fantástico. A rapidez com que a criançada aprende a forma que funcionam as tecnologias mais novas, graças à ludicidade (nem sei se essa palavra existe) dos mesmos, é de impressionar qualquer adulto. No início da vida o cérebro parece ser uma grande esponja que absorve toda e qualquer informação que possa ser relevante para o “ser humano do futuro” que seu dono será, e esse dinamismo cerebral faz com que as crianças já cresçam se adaptando com as tecnologias cotidianas, e nós, adultos, vamos ficando para trás, com nossos bloquinhos de madeira. Não existe tablet de brinquedo que possa substituir esse instinto de aprendizagem, afinal botão é algo tão “arcaico”, não é mesmo?

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Curtinha #6


No jornal, pela manhã, passou uma reportagem sobre a visita do escritor Nicholas Sparks aqui no Brasil. Em um determinado momento, uma garota, aos prantos, apareceu para abraçá-lo na sessão de autógrafos e nem conseguia dar entrevista depois. Pensei comigo mesmo “caramba, tudo isso só por conhecer o escritor?”. Algumas horas depois fui dar um lanche para o pequenote. Decidi tentar dar uma bolacha (biscoito? Vocês decidem), já esperando sua rejeição. Para minha surpresa ele não só pegou a bolacha como começou a comer sozinho, arrancando pedaços com seus dentinhos e mastigando direitinho. Meus olhos encheram de lágrimas. Pode parecer besteira, mas só quem acompanhou toda a história do guri irá entender o quão significativo foi isso, já que as lesões cerebrais causadas no ano passado o fizeram regredir em muitos pontos, inclusive na deglutição - ele evitava mastigar, cuspia pedaços de comida que julgava “grandes demais” e muito raramente levava algum alimento à boca. Percebendo isso, vi o quão injusto estava sendo com a menina fã do Nicholas Sparks: o choro dela com certeza tinha uma razão de existir, razão que só ela sabe o peso que tem. Cada um tem uma história e não cabe a ninguém julgar. Então, desculpa, garota-que-apareceu-chorando-na-reportagem.

COMPARTILHEM ATÉ CHEGAR À GAROTA. (não custa tentar, né?)