segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Gambiarras (ou procedimentos alternativos)

Nesse fim de semana dei mais um passo em direção a ser um pai de verdade.  Consegui arrumar o sofá de casa, que já estava ficando muito desconfortável. Ok, “arrumar” é modo de falar, foi mais uma medida paliativa, por assim dizer. Também não foi fácil. Imaginei que arrumaria em meia hora, mas apenas após 3 horas de esforço, com mãos e braços arranhados como se tivesse entrado em uma briga com um gato selvagem, e ainda sem conseguir solucionar da forma que imaginei que poderia fazer, finalizei o trabalho. Em uma escala de 0 a 10, acredito que consegui um louvável 7.

Já sei trocar chuveiro, botijão de gás, arrumar tomadas, fazer extensão elétrica, montar e desmontar o carrinho de bebê, entre outros afazeres que normalmente são denominados ao pai. Mas ainda tenho muita coisa a aprender, afinal o Manual do Pai diz que um pai deve saber consertar tudo.

Meus dois avôs são os meus exemplos de como ser um homem. Meu avô paterno - que Deus o tenha - vivia para servir. Quando íamos aos domingos na casa dele, desde cedo já estava de pé, na churrasqueira, preparando o almoço para nós. Durante a refeição, ele continuava trazendo mais carne, e só no fim ia comer - e não adiantava insistir para ele sentar conosco! Além disso, dava jeito em qualquer coisa que precisasse de conserto ou de “uma mãozinha”.  Meu avô por parte de mãe é um “resolvedor de problemas”. Sempre que alguém da família tem um problema, desde um chuveiro queimado até consertar a estrutura da casa, ele sabe como resolver. E se não der pra fazer da forma correta, sabe dar um “jeitinho”. Um verdadeiro MacGyver. Ambos fazem parte da seleta porção de seres humanos do sexo masculino que tiram o “Manual do Pai” de letra. Se duvidar, eles mesmos ajudaram a escrever!

Foto dos meus avôs quando mais novos.

O mais interessante é pensar em como se adquire todas essas experiências. Quantas pessoas já viram como é um sofá por dentro, por exemplo? Quantos você conhece que conseguem fazer uma TV voltar a funcionar sem ao menos saber qual o defeito? Quantas vezes alguém chegou para você e disse “agora vou te ensinar como se instala um chuveiro”? Hoje ainda temos o vô Google, o pai Youtube e o tio Yahoo Respostas (esse normalmente é aquele tio que sempre te dá péssimos conselhos e te coloca em furadas). Quando não sabemos algo, basta procurar na internet, pois é bem provável que, assim como o Neo em Matrix, você aprenda em apenas alguns minutos algo que nunca imaginou conseguir fazer. Mas e na época de nossos pais e avós, como era feito?

“- Eu sei kung-fu!”
“- Quem perguntou?”

Provavelmente é o tipo de conhecimento que se passa de pai para filho. Aquela herança importante, que molda a criança para a idade adulta. Espero aprender ainda muita coisa para ensinar ao meu filho, mas caso eu não saiba como fazer, tomara que o vô Google me ajude, afinal poucas coisas são mais frustrantes para uma criança quanto descobrir que seu pai não sabe tudo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Numa folha qualquer

Eu gosto de desenhar desde criança. Um lápis e papel eram suficientes pra me deixar entretido por um tempo. Quando comecei a colecionar histórias em quadrinhos, passei a desenhar personagens, nas poses e cenários que estavam retratados nas revistas. O tempo foi passando, fui ficando mais velho, e essa prática foi sumindo no decorrer dos anos.

Já vi e até acompanhei muitas histórias de pais que depositavam no filho as frustrações de suas vidas, seja encaminhá-lo para a profissão que queria ter e nunca teve ou para a profissão que tem e quer que o filho siga também, seja botar na escolinha de futebol porque queria ser jogador e não pôde, seja colocar no karatê por ter sofrido bullying na escola e agora quer que o filho saiba se defender. Embora admita que adoraria que meu filho tivesse a mesma paixão por desenhar que eu, acho que tentar induzir o filho a caminhar nos passos que você deseja é privá-lo da liberdade de escolha. Todos somos diferentes, seja nos gostos, na personalidade, no humor ou nas aptidões. Moldar o filho de forma que ele sane suas frustrações é provavelmente criar nele frustrações iguais ou piores.

Calvin manja dos paranaûes

Pode parecer que esse é um assunto repetido, afinal falei sobre a questão de manipular os caminhos do filho no texto sobre como ele se tornou o Brucioêine. Mas o tema aqui é uma vertente própria, a respeito do que o filho será no futuro. Há uma boa diferença entre querer que o filho curta rock ou torça para o mesmo time que o seu e forçá-lo a ser advogado. Todos devem conhecer pelo menos um caso de obsessão, tipo o pai que faz o filho estudar até tarde da noite para ser médico, ou a mãe que faz a filha treinar 6 horas por dia para entrar na turma de balé. Mas se um filho diz que gosta de fazer algo que os pais induziram-no a fazer, isso é manipulação ou encontro de interesses? Como saber quanto se interfere na vida e nos gostos do filho enquanto lhe é oferecido os gostos dos próprios pais? Ou melhor: quando ter certeza que o filho está fazendo algo por vontade ou simplesmente para não magoar ou decepcionar os pais?

Acredito que a criança já dá indícios de suas vocações desde cedo, e talvez o melhor caminho para um pai notar o que pode ou não pode ser interessante para o filho é prestar atenção nesses pequenos detalhes. Desde pequeno gostava de eletrônicos e computadores, e acabei me tornando um profissional de TI. Nunca fui fã de leitura, logo não poderia rumar para alguma profissão que demandasse estudos de caso ou que fosse necessário decorar muitas informações, tais quais Direito, Letras ou até mesmo algum curso da área de biológicas. Nunca tive sucesso em esportes, nunca fui forte, ou alto, e além disso tenho problemas respiratórios. Logo, não poderia me tornar um atleta profissional. Mas e o desenho? Será que eu não poderia ter focado nisso e virado desenhista? O que impediu, será? Faltou apoio? Faltou curso pra aprimorar as técnicas? O salário não seria o suficiente? Ou era apenas um hobby e deve continuar dessa forma? Difícil imaginar o que fazer para não frustrar meu filho se eu nem consigo saber se eu sou um adulto frustrado por não ter seguido no que queria fazer quando criança. Afinal, quantas pessoas queriam ser astronautas quando crianças?

Não desista, Gary!

Eu não posso prometer que não vou interferir nas escolhas do guri, afinal também sou filho de Deus e também cometo minhas falhas. Parece algo instintivo de um pai: sempre achar que o melhor para ele é o melhor para seus filhos. Vou tentar me policiar, tentar não induzir ou até mesmo forçar escolhas. Mas o papel e o lápis estarão sempre lá, se ele quiser desenhar.



Obs.: Para quem já é pai ou convive com crianças pequenas, segue um link bem interessante do blog Pais e Filhos a respeito do significado dos desenhos das crianças. Clique aqui.

domingo, 7 de setembro de 2014

Lava, lava, lava, uma orelha, uma orelha

Por ser apenas um recém nascido, não há muito como interagir com meu filho. Ele basicamente dorme, mama, faz cocô, resmunga e chora - não necessariamente nessa ordem. De vez em quando abre os olhos e fica se mexendo sozinho como se fosse a coisa mais divertida do mundo.
Nesse período, ele fica muito mais com a mãe do que comigo. Então, não há muito como estarmos os 3 fazendo algo juntos. Experiências mal sucedidas já provaram que uma troca de fraldas a quatro mãos mais atrapalha do que ajuda. Não há também como ajudar na amamentação, tendo em vista que não possuo glândulas mamárias e também não faz muito sentido ficar segurando o guri enquanto ele fica pendurado no peito da mãe. Por isso, independente de como o dia se desenrola - seja trabalhando até mais tarde, saindo no fim de semana, indo jogar futebol à noite - eu não largo mão de ajudar no banho. É o único momento em que nos relacionamos como família.
Não dá pra dar de mamar, pai. Não adianta insistir.

Ainda não cruzei a perigosa e tênue linha entre ajudar e assumir o papel principal no banho, mas a cada dia tenho mais experiência nas tarefas que antecedem e sucedem o sublime momento da limpeza corporal do garoto. Já tenho habilidades consideravelmente razoáveis em vestir o guri, já entendi as áreas onde deve-se passar pomada e também já dominei a arte de desdobrar e colocar uma fralda. Nos entremeios, eu e minha esposa conversamos, dividimos funções e damos apoio um ao outro - e os dois ao filho, que de vez em quando esperneia ou chora, seja por frio, assustado com a água ou porque derrubamos ele sem querer no chão. Tá, essa última é mentira.

Saber a forma correta de dar banho no bebê é muito importante.

Segurá-lo corretamente também.

Esse é só o início, ainda teremos muitas interações como família, tanto divertidas quanto sérias, tanto engraçadas quanto apreensivas, mas acredito que este é um bom início. É praticamente uma dica para os futuros pais: dêem banho juntos no seu filho ou filha. Além de você, pai, que provavelmente será naturalmente desastrado (acredito que é uma condição genética masculina), aprender a manusear melhor o bebê, o casal também terá um momento de interação. Acredite, esses momentos vão ficar mais raros, tendo em vista que a prioridade agora é o bebê, mas é importante o casal se manter junto - falarei mais sobre isso outro dia.

Já tentei interagir assim. Ele não correspondeu muito bem.

Por fim, é só lembrar que banhinho é bom. Agora acabou!


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Que dureza...

Meu maior medo em relação a criar meu filho é me tornar um pai igual aos pais que tanto critico. Aquele pai molenga, que diz “sim” para tudo que o filho quer, só para não ter nenhum stress com a criança. Aquele pai que acha que o filho é melhor e pode mais do que qualquer outra criança. Aquele pai que culpa a falta de atenção e de educação do filho ao “transtorno bipolar” ou ao “déficit de atenção”, já que virou moda dar essa desculpa hoje em dia. Enfim, aquele pai que descrevi no texto sobre perder dentes.

Eu e minha esposa tínhamos já acordado que o nosso filho não iria dormir conosco em nossa cama. Mas agora, enquanto ele está bem pequeno, ele já ficou deitado conosco por algumas horas em alguns dias. Também queríamos deixá-lo sem conhecer chupeta, por causa dos danos que pode acarretar à dicção e à arcada dentária. Só que desde a incubadora as enfermeiras já faziam uma chupeta “artesanal” com luva cirúrgica para acalmá-lo de vez em quando, e pelo jeito ele se acostumou. Tanto fez que acabei comprando uma.

Sério, estou começando a temer essa minha falta de pulso. É só o começo, mas até onde vai isso? Será que outros planos que eu tinha - como nunca levá-lo ao mercado até ter idade para entender questões como “dinheiro” e “necessidade” ou não ensiná-lo a mexer em celular ou tablet e afins nos primeiros anos de vida - irão por água abaixo? Isso que ele ainda nem está na idade de fazer terror psicológico com seus olhos esbugalhados e biquinho.

Por favor, filho, não me olhe assim.

Eu tento acreditar que serei da forma que sou com meu cachorro: mesmo com carinha de “gato de botas” eu ainda consigo impedi-lo de entrar em casa, latir para o cão do vizinho ou pedir comida quando estamos à mesa. Também tenho o pulso firme de não deixá-lo subir no sofá ou comer muitos biscoitos. mas obviamente não é igual, afinal cães não conseguem nos manipular, barganhar ou até mesmo chantagear para alcançarem suas metas. Pelo menos ainda não. Talvez um dia, mas ainda não.

Eu acabei de te conhecer e já te amo. Esquilo!

Claro, esses dois exemplos que dei ainda são “inofensivos” perto do que a falta de pulso dos pais pode fazer com um filho. Depois de tudo que ele passou, sendo prematuro, ficando quase um mês preso em uma caixinha, e ainda sendo tão fraquinho, dá dó ser rígido, afinal ele nem entende ainda o que pode ou não pode fazer. Pior ainda: eu não entendo ainda o que ele quer ou não quer. Como eu posso tentar já educá-lo se ele nem sabe ainda a diferença entre a chupeta e o meu dedo?

No fim, acho que ainda não é hora de me preocupar com isso. Mas desde já tenho que me policiar para que pequenas regalias não se tornem hábitos, e que esses hábitos não se tornem rotina.


    

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Piiiiiiiiii

Uma grande preocupação que tenho quanto à alfabetização do pequeno Brucioêine é a respeito dos palavrões. Eu e minha esposa estamos acostumados a proferir palavras de baixo calão. A princípio, planejava lotar esse texto de palavrões, para poder expôr o quanto esse assunto me preocupa, deixando o aviso “se você, leitor, é uma pessoa totalmente contra ou se escandaliza com palavrões, sugiro não ler esse texto, porque provavelmente terá palavrão pra c...”, mas por respeito a quem irá ler, resolvi trocar os palavrões por palavras que tem o mesmo significado - literalmente.

É até irônico pensar que, até uns 8 anos, eu nem sabia o significado de “prostituta fezes”. Mesmo com mais idade eu também tinha um vocabulário ingênuo. Lembro que uma vez falei “masturbação” sem saber o que significava e minha tia me recriminou. Falava “sêmen” pra minha mãe achando que significava “orra”. Ela brigava comigo e eu não entendia por que.

Os palavrões saem sem eu sequer notar. Se eu quero dar ênfase a algo, é algo “coito”. Não é algo legal, nem bacana, nem batuta. É “coito”. Agora, se é algo que é muito melhor que legal, que bacana, que batuta, e até mesmo que “coito”, ele recebe o advérbio de quantidade da língua portuguesa que mais denota abundância: o “pra pênis”. Aí a coisa vira algo “coito pra pênis”.

O “pra pênis”, no caso, indica algo de grande quantidade. Se você tem 10 reais na carteira, você tem pouco dinheiro. Com 100 reais, você tem bastante. Com 1000 reais, você tem dinheiro “pra pênis”. Na verdade, o “pra pênis” tende ao infinito. Tudo que pode ser contabilizado, está sujeito ao “pra pênis”. “Pênis”, que assim como o “coito”, são palavras paradoxais - também servem para indicar algo ruim. Enquanto o “coito” permanece como um adjetivo - como na famosa frase “neguim são coito” - o “pênis” é apenas uma interjeição. Se você acertou o dedinho do pé no batente da porta, você automaticamente grita “Pênis!”. Também pode ser usado quando algo te espanta. E também pode ser facilmente substituído pela conjunção “meretriz fezes”.


Desculpa, tia Sandra...

Enquanto “meretriz” refere-se a uma mulher promíscua, como deve ser de conhecimento geral, “fezes” é o termo chulo para excremento, comumente usado como adjetivo a algo - ou alguém - que não presta. Mas juntos eles se transformam na interjeição citada acima. Ah, e o “meretriz” também é parte do xingamento mais utilizado por este que vos fala: “filho de uma meretriz”. Nunca tome tal ofensa da forma literal, pois tenho todo o respeito à progenitora do sujeito que é meu alvo, mas é o insulto que tem a melhor sonoridade, e que consegue retirar toda aquela raiva e rancor guardadas no coração. Também utilizado para demonstrar o quando você gosta de um amigo.

=(

Eu não quero que meu filho tenha esse péssimo costume, e preciso tentar ao máximo parar desde já, para que não me escape nenhuma palavra inapropriada perto do guri - principalmente quando ele estiver na idade de repetir tudo que se fala. Pretendo trocar as palavras por outras mais amenas. Minha mãe - uma santa - no auge de sua raiva, exclama “meu saquinho de pipoca”. Se alguém a deixou muito nervosa, ela xinga de “pamonha”. Se tem algo ruim acontecendo, ela diz “é do peru mesmo”. Talvez um treinamento intensivo com ela me ajude. E também aceito sugestões! O que eu não aceitarei é ver meu filho falando tão feio quanto eu falo hoje. Isso sim seria um saquinho de pipoca.