| Há 5 anos | Hoje |
22h. Me apronto para entrar no chuveiro. Depois do banho tomado, escolho uma roupa bacana, com o qual tento ficar - a muito custo - bonito. Após esperar o contato dos meus amigos, saio de casa para ir para a balada, e chego lá perto de meia-noite. Assim que chego, já pego uma cerveja, e a banda de rock começa a tocar. Converso gritando com os amigos, devido ao som alto da música. Pego mais uma cerveja, e canto uma música bacana de forma despreocupada. No intervalo das músicas, vou ao banheiro, me infiltrando no meio da multidão de gente para ir e voltar do sanitário. A banda volta a tocar. Quase no fim da apresentação, tocam uma música ruim. Subo até o bar para pegar mais uma cerveja. Quando volto, a banda tinha acabado, e meus amigos ainda estavam animadões. Ofereço minha cerveja para um que está sem. Começa a música eletrônica, e descemos para o lounge. Enquanto finjo estar dançando de um lado a outro, fico esperando por um sinal de música boa, mas me decepciono com os “tux tux” que permanecem tocando. De vez em quanto o DJ aumentava o som, mostrando como DJs podem ser sarcásticos. Fui pegar mais uma cerveja pra espairecer. Meus pés já doem. Sento numa cadeira, mas meus amigos não querem que eu fique parado, e começam a me zoar. Volto a ficar de pé. Tento me animar e voltamos a conversar e dar risada, mas a música continuava martelando repetidamente na minha cabeça. Aí a coisa piora: começa a tocar axé. Olho pros meus amigos e digo “vamos embora?”. Eles enrolam um pouco, mas finalmente parecem tão cansados quanto eu. Sento no sofá da recepção aguardando que eles paguem a conta. Vamos até o carro e rumamos para casa. Chego em casa, escovo os dentes, troco de roupa e deito a cabeça no travesseiro, feliz por ter me divertido, mas bastante cansado por ter passado a noite na farra. |
22h. Me apronto para entrar no chuveiro. Depois do banho tomado, coloco meu pijama, com o qual tento ficar confortável. Após esperar minha esposa ir dormir, coloco um seriado para assistir, que acaba perto de meia-noite. Assim que desligo, vou até a cozinha e pego um copo d’água, e o bebê começa a chorar. Converso sussurrando com minha esposa, pra tentar não despertá-lo ainda mais. Pego um copo de água para ela, e tento fazer o guri voltar a dormir de forma preocupada. Ela resolve dar de mamar, então vou ao banheiro, andando na ponta dos pés para ir e voltar do sofá. Volto a ver o seriado. Quase no fim do episódio, o guri volta a chorar. Subo até o quarto para ver o que está acontecendo. Chego lá, o choro tinha acabado e minha esposa estava em estado de zumbi. Ofereço minha ajuda para fazer o guri dormir. Começo a tentar fazê-lo dormir, e desço para a sala. Enquanto ando com ele de um lado a outro, fico esperando por um sinal de sono do guri, mas me decepciono com seus enormes olhos feito duas jabuticabas que permanecem me olhando. De vez em quando ele ainda sorria pra mim, mostrando como bebês podem ser sarcásticos. Fui pegar mais um copo d’água pra distrair. Meus pés já doem. Sento no sofá, mas ele não quer que eu fique parado, e começa a reclamar. Volto a ficar de pé. Tento me animar e volto a andar de lado a outro, mas o sono continuava martelando repetidamente a minha cabeça. Aí a coisa piora: ele começa a choramingar. Olho pro meu filho e digo “vamos dormir?”. Ele enrola um pouco, mas finalmente parece tão cansado quanto eu. Sento no sofá da sala aguardando que ele adormeça. Vamos até o quarto e coloco-o no berço. Depois chego no banheiro, escovo os dentes, subo para o quarto e deito a cabeça no travesseiro, sem ter me divertido, mas feliz por ter cuidado do meu filho e ter sido bem sucedido na minha missão. |
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Relato de uma "noitada"
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Grama verde, céu azul...
“… e flores vermelhas! Sorrindo para o amigo Sol, que está sempre alegre!”♫
Sim, é isso mesmo que você está imaginando: por mais que eu tenha me esforçado para que esse dia não acontecesse, ele sumariamente repousou sobre nossas vidas para se manter conosco por anos a fio. Me dói dizer isso, mas meu filho ganhou um presente musical - e o pior: ele adorou.
Acredito que seja mais pela luz vermelha piscante e pelo colorido do brinquedo, mas para que a luz pisque, é preciso que ele cante. É uma simples máquina fotográfica com um sol sorridente (que está sempre alegre) no lugar da lente, mas é o suficiente para deixá-lo calmo e concentrado mesmo quando estava incessantemente chorando.
Eu não queria que ele ganhasse brinquedos com música, pelo simples fato que as canções grudam na nossa cabeça com uma intensidade maior que A Dança da Manivela (aqui tá quente! Tá frio! Muito quente! Muito frio!) ou qualquer uma do Molejão. Eu já me peguei cantarolando esses famigerados versos dirigindo a caminho do trabalho (e com o rádio ligado), durante o banho e até mesmo pro meu filho - que é, no caso, um dos sintomas finais que indicam a impregnação total da musiquinha dentro da família.
Eu fico cabreiro com esses brinquedos, não só por temer pela minha própria sanidade, mas porque meu lado psicótico acredita que sempre tem um motivo obscuro para essas musiquinhas existirem. Cresci numa época onde se acreditava que dentro do corpo do boneco do Fofão havia uma faca, que a boneca da Xuxa criava vida durante a noite, entre outras bizarrices. Morro de medo de tocar a música ao contrário e descobrir que, na verdade, é uma mensagem de ETs informando que serei abduzido por ouvir o segredo das galáxias, ou algo do tipo.
Ok, exagerei. Na verdade, é só egoísmo meu, não queria ficar ouvindo repetidamente as mesmas cançõezinhas chiclete por horas e horas nos dias que hão de vir. Sei que brinquedos musicais são interessantes para evoluir ritmo, criatividade e musicalidade da criança. Também sei que é muito provável que daqui a pouco tempo estarei cantarolando sonetos elaboradíssimos de Lazy Town, Meu Amigãozão e - Deus tenha piedade da minha alma - Galinha Pintadinha. Se isso é importante para o aprendizado do meu filho - ou até mesmo para distraí-lo ou acalmá-lo de vez em quando - tudo bem, mas será que é pedir muito trocar essas músicas por AC/DC?
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Adivinha?
Uma das coisas que mais me irritou durante a gestação foi a quantidade de “videntes” que acabamos conhecendo. Começou quando finalmente tornamos a gravidez pública: por acharmos mais seguro só divulgar após o terceiro mês que estávamos esperando um filho (o período mais “delicado”), foi um festival de “Eu sabiiiiia!”. Engraçado que essas pessoas “sabiam”, mas nunca afirmaram nada para nós - sequer questionaram. Depois foi a vez do sexo do bebê: “sabia que ia ser um menino!”. Alguns diziam que era por causa do formato da barriga, outros porque o umbigo estava pra dentro, e não pra fora. Outros pelo brilho na pele ou nos olhos da mãe. Pessoal, sejamos justos: tem 50% de chance de acerto! Ou é menino, ou é menina! Fica fácil acertar com a probabilidade máxima. Eu realmente daria crédito se dissessem “é um filhote de ornitorrinco!” e acertassem - e pediria um teste de DNA, por óbvio.
“Parabéns, papai!”
Agora está na fase dos olhos do bebê ficarem na cor que carregará por boa parte da vida. Antes disso era um misto de cinza, marrom e azul, dependendo de como a luz batia, de qual fase a lua estava ou quantos gols o Botafogo levava no jogo do fim de semana. Como eu tenho olhos castanho-escuros (o famoso olho de jabuticaba) e minha esposa tem olhos verdes (tipo uva itália), o jogo para os videntes agora é definir qual vai ser a cor final. Aqui creio que temos quatro chances: verde, castanho esverdeado, castanho claro e castanho escuro, com uma remota chance de ter um olho de cada cor, estilo husky siberiano. Já começa a dificultar as apostas, tendo os paranormais de plantão que apelar para os orixás, as cartas e até mesmo para o espelho mágico.
Como tem gente no mundo que adora dar pitacos e contar vantagem por ter acertado algo, não? Será que essas mesmas pessoas tem noção que pouco ou nada me importa se eles têm o conhecimento do universo e do espaço e tempo nas mãos? A única coisa que quero é que o guri tenha os olhos da mãe, porque os meus são muito sem graça. Se ficar com eles verdes, beleza! Se não ficar, tudo bem! Mas se você acertar a cor, parabéns, viu? Você vai ganhar um belíssimo NADA, enrolado num lindo papel de TÔ ME LIXANDO.
Após a definição dos olhos, começa o próximo bolão: ele será canhoto ou destro? Consultem suas bolas de cristal, búzios, o horóscopo e aquela sua tia que sabe quando vai chover porque o joelho começa a doer, pois assim que soubermos, não fará diferença nenhuma para sua vida! Quer brincar de adivinhar? Tudo bem! Nós também fazemos isso! Mas depois não venha falar conosco com um ar de superioridade, dizendo que “sabia” como seria. Fica a dica.
sábado, 29 de novembro de 2014
Bobolhando
Eu nunca soube como agir com crianças, principalmente os mais novinhos. Nunca fui de ficar fazendo careta, falando igual besta (ou com voz de criança) ou até mesmo fazer “cuti cuti” e outras brincadeirinhas que fazem o bacuri te olhar com cara de “o que tá acontecendo aqui?”. Mas aí eu tive um filho, e tudo mudou.
Quer dizer, nem tudo. Ainda não ajo assim com o filho dos outros, mas com o meu já ganhei o diploma de bestão com louvor. Não sei, acho que com ele posso ser mais natural, não preciso temer ser julgado ou não ser aceito - afinal ele não tem muita escolha, sou o pai dele e ponto. Fora que é papel crucial dos pais fazer seus filhos passarem vergonha em vários momentos da vida.
Agora que ele aprendeu a rir, fico parecendo um macaco de circo na frente dele, na busca frenética por tirar uma risada. Falo bobo, faço caretas e barulhos estranhos com a boca e com a língua, tentando em vão fazê-lo sentir cócegas na barriga e debaixo do braço, entre outras peripécias que sou grato a Deus por saber que o guri não se lembrará quando tiver idade para falar. Também acho ótimo que ele não tenha um gravador de vídeo que posta automaticamente as gravações no Youtube - mas fica a dica pra alguma empresa de tecnologia que queira implementar algo assim em chupetas, babadores e bonés para bebês. Nicho de mercado, hein!
O pior é que gasto um bom tempo nessa bobeira, e cada décimo de segundo em que ele esboça um sorriso me dá forças para esquecer minha dignidade e continuar ainda mais, até ele visivelmente ficar de saco cheio. Mas aquele décimo de segundo, aquele momento em que ele faz um som, eu repito e ele torna a repetir também, valem por todo o esforço e toda vergonha na cara que deixo para trás ao brincar com ele. Enfim, aprendi a agir com uma criança pequena, mesmo que seja só com a minha. No final, ela é a que mais importa.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Labutando
Sabe aquela história de “se eu pudesse te dar um conselho…”? O Pedro Bial diz que é “use filtro solar”. Já eu digo “arranje um primeiro emprego horrível”.
Comecei a trabalhar bem cedo, pra ajudar em casa - ou pelo menos para não dar mais despesas. Trabalhava como office boy, fazendo serviço de banco, ia pegar e entregar documentos em vários lugares, além de fazer todos aqueles serviços chatos de escritório que ninguém quer fazer. Não posso reclamar muito também, já que trabalhava umas duas horas, e de resto era só ficar coçando o saco.
Todos aqueles anos de filas de banco, horas dentro de ônibus lotados que iam para os pedaços mais obscuros da cidade e empilhamentos de notas fiscais e arquivos de 5 anos antes me ensinaram a conhecer a cidade de forma que consigo ir praticamente para qualquer canto, a ter paciência e a organizar minhas coisas antes que fujam de controle.
Depois de sair dessa empresa, tive o meu primeiro emprego de carteira assinada: suporte técnico de serviço de internet de uma empresa de telefonia. Suportei por 1 ano os comportamentos mais contrastantes possíveis dos clientes que ligavam pedindo ajuda, desde educados até os que xingavam de 8 a 9 palavras em 10, passando por uma senhora de 60 e poucos anos que deu em cima de mim. Atendi desde o Jimmy Hendrix até a Roquilane Fuck de Alguma-coisa. E o que aprendi? A ser educado, polido, (mais) paciente e - principalmente - trabalhar sob pressão.
Contudo, esses dois empregos me ensinaram uma lição muito maior: a valorizar o emprego seguinte. o trauma gerado por eles fez com que eu entendesse que não existe profissão perfeita, não existe empresa nota 10 e nem trabalho que não é exaustivo - bom, talvez testador de colchões seja. De videogames também.
Por isso vou incentivar meu filho a ter um primeiro emprego assim que seja possível, para ensiná-lo responsabilidade, comportamento social e - assim como aprendi - a entender que nem sempre a vida é bela e fácil. Vejo hoje em dia adolescentes e recém-adultos que mal sabem pegar um ônibus, ir ao banco ou até mesmo organizar seus gastos. Vejo também pais que defendem que o filho “deve se dedicar apenas aos estudos”. Aí eles ficam sem nenhuma ocupação até o fim da faculdade, e tem que entrar num furioso mercado de trabalho aos 20 e poucos anos sem nenhuma experiência empresarial - e vi muitos se darem mal por isso.
Claro, ele não precisará trabalhar feito um chinês ou em uma jornada de 44 horas semanais, realmente o estudo é mais importante. Mas aprender a se virar sozinho é parte crucial da vida adulta, e um bom (ruim) emprego é um ótimo passo para adquirir a responsabilidade necessária.
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